A FAVORITA (2018)

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The Favourite, Yorgos Lanthimos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes de falar de A Favorita, é preciso falar de Yorgos Lanthimos. Em seu terceiro filme em língua inglesa, o artista adquiriu um status de globalizado, recebendo um olhar positivo de premiações e festivais principalmente norte americanos em relação a suas produções. Sua primeira indicação na academia foi com Dogtooth, uma de suass obra mais reconhecidas, concorrendo ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010, e indicado posteriormente também em 2017 por A Lagosta, na categoria de roteiro original. O diretor traz em suas obras algumas obsessões, manias que ao bater o olho podem ser reconhecidas como parte de um filme do mesmo. Porém em A Favorita, o diretor pela primeira vez não teve participação total na criação do roteiro, algo que vale destacar, não influenciou muito em seu estilo próprio.

O trabalho de fotografia e do departamento de arte elevam todos os frames a um espetáculo visual, com grandes e luxuosos cômodos, figurinos e cabelos extravagantes com decorações estonteantes por todos os lados. Existe um enorme contraste entre o ter e o ser, onde toda a nobreza esbanja sua riqueza, mas também não tem medo de esconder sua verdadeira face. Nesse momento, entra em cena uma dessas características do diretor: o pior lado do ser humano. Suas bizarrices combinam com a construções dos personagens, mostrando momentos fúteis da realeza, em corridas de patos ou tomates lançados em alguém, mas também sempre deixando claro como os burgueses e próximos da rainha são despreziveis, causando uma impossibilidade de simpatia com qualquer um dos presentes na obra.

Diferente do que muitos esperam de um filme que trata da realeza, tudo é feito um tom de escárnio sobre o ser humano e suas atitudes para alcançar aquilo que desejam. A grande batalha é travada entre duas personagens que pretendem manipular Queen Anne, para garantir que suas vontades e de seus aliados políticos prevaleçam nas decisões da rainha. Durante todo o conflito entre Lady Sarah e Abigail, é criada uma atmosfera tensa, uma guerra silenciosa entre as duas, que tentam de todo modo se manter o mais próxima possível da rainha.

É uma obra feita para um verdadeiro show de atuação de suas 3 protagonistas: Olivia Colman interpretando Queen Anne, Rachel Weisz como Lady Sarah e Emma Stone, em um papel distante do que parece ser a “zona de conforto” da atriz, como Abigail. Olivia Colman traz uma interpretação única, em uma mesma cena ela consegue fazer você sentir pena mas de maneiras diferentes em questões de segundos, a pena do ridículo agindo como rainha louca mas logo depois a pena de sua incapacidade de tomar próprias decisões e ser dependente de outros para tudo. Seus problemas internos, como a solidão e sua aparente percepção de que todos em volta dela só tem interesses ao final acrescentam positivamente a construção da personagem. Se mostra de longe como a melhor atuação da temporada.

O final do filme não traz um grande plot twist, uma grande revelação ou algo do tipo. É mantido em uma linearidade, tratando dessa guerra entre duas subordinadas da rainha, entre conservadores e liberais, e dentro da própria rainha quando um conflito interno surge com calma, mas em um ritmo de pingue pongue, onde cada um toma uma atitude e espera a resposta vinda do outro lado. A ausência de personagens heróicos, que apareçam para dar a velha e boa lição de moral que o bem é o melhor caminho não existe, assim, encerrando a obra com uma mensagem que pode ser captada de basicamente todos os filmes de Yorgos Lanthimos: o lado ruim do ser humano e o mal sempre prevalecem.

Nota do filme: 3/5

 

 

 

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